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Projeto do Campus Sertão alia conscientização, descarte e reutilização de materiais

Artefatos produzidos no projeto utilizando sucata eletrônica

O crescimento rápido de um novo tipo de lixo tem preocupado a sociedade: o eletrônico. Seu descarte inadequado pode causar danos graves ao meio ambiente. São computadores, telefones celulares, televisores, geladeiras e outros tantos aparelhos que, por falta de destino apropriado, são incinerados, depositados em aterros sanitários ou até mesmo em lixões. O crescimento populacional e os padrões de consumo cada vez mais acelerados fazem com que os resíduos decorrentes desse consumo precisem mais e mais ter uma destinação final correta. Consciente dos problemas em decorrência do lixo eletrônico, professores e alunos do Campus Sertão do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) criaram em 2011 o projeto de extensão E-Lixo: da conscientização ao descarte ambientalmente correto.

Atualmente o projeto é coordenado pela professora Lis Ângela De Bortoli e conta com a atuação do professor Tiago Guimarães Moraes e de cinco bolsistas, três do curso de Tecnologia e Análise em Desenvolvimento de Sistemas - Tays Zanolla, Ana Paula Brandalise e Nathalie Sbeghen - um do curso Técnico em Manutenção e Suporte em Informática, Henrique Montemezzo - e uma do curso de Tecnologia em Gestão Ambiental, Ana Paula Vanin.

Mutirão para arrecadar lixo

Além de ocupar muito espaço, peças e componentes eletrônicos são feitos de metais pesados e apresentam toxicidade para a saúde humana e, por isso, não devem ser descartados junto com o lixo comum. Dessa forma, o projeto realiza, anualmente, um mutirão de arrecadação de materiais. Em 2016, o Mutirão do Lixo Eletrônico chega a sua quarta edição. O crescimento da campanha é expressivo a cada edição. Em 2015 arrecadou-se 807 itens (uma arrecadação 57% maior que o ano anterior). Em 2014 foram cerca de 500 e, em 2013, o número de equipamentos recebidos não chegou a 60.

A campanha acontece sempre no mês do meio ambiente, junho. Neste ano iniciou no dia 6 e vai até 30 de junho. O ponto de coleta no Campus Sertão está localizado no saguão do prédio da Informática e também existem pontos de coleta nas escolas municipais e na Prefeitura. São aceitos equipamentos eletroeletrônicos obsoletos ou estragados, exceto lâmpadas fluorescentes. Após o período de coleta a empresa Recycle de Passo Fundo busca o material arrecadado e dá o destino ambientalmente correto a cada um dos equipamentos.

Conscientização e transformação do lixo em arte e em jogos

De acordo com Lis, os ciclos de substituição de aparelhos estão cada vez menores. "Estima-se que os computadores são substituídos a cada quatro anos nas empresas e a cada cinco pelos usuários domésticos. O que está sendo feito com os equipamentos que estão sendo substituídos? Onde as pessoas estão depositando estes equipamentos?", questiona. A professora reflete ainda que, as habitações estão cada vez menores e os equipamentos substituídos perdem muito em tecnologia para os novos, ?os aparelhos rejeitados transformam-se em lixo eletrônico e normalmente são descartados de maneira errada. Nem todos sabem que eles são prejudiciais à saúde. Em geral, contaminam o solo, a água e os seres vivos. Ou seja, a solução do problema passa necessariamente pela reeducação da população e pela criação de espaços que promovam o seu recolhimento e correto descarte?, destaca.

E o projeto não se resume somente ao mutirão. Os integrantes vão para escolas do município e desenvolvem trabalhos de conscientização com crianças do Ensino Fundamental, através de dinâmicas para explicar como recolher e descartar os vários tipos de lixo, além de realizarem palestras abertas ao público. Também fazem arte e exposições de Meta Arte com os trabalhos feitos a partir de materiais arrecadados. O lixo eletrônico é transformado, ainda, em jogos, a Coleta maluca é um deles. Trata-se de um jogo de competição em que crianças são divididas em grupos com o objetivo de encontrar, em determinado tempo, o maior número possível de resíduos, espalhados pelo local, e descartá-los nos coletores corretos.

Outro jogo é o Memória seletiva, um jogo de cartas semelhante ao jogo Memória no qual as crianças devem combinar cada resíduo com a cor que o classifica. Foi criado ainda o Coleta radical, em que se objetiva coletar os diferentes tipos de lixo antes que os demais competidores. E as ideias não param de surgir. Conforme a coordenadora, o próximo passo do projeto será a catalogação das peças para a criação de um museu de hardware.

Matéria: Lisiane Schustter Gobatto - Campus Sertão

Galeria

Dinâmica com jogos educacionais feitos com sucata eletrônica

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