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Projeto do Campus Sertão incentiva permanência de indígenas na escola

Alunos e servidores participam do projeto em Sertão

Um projeto de acompanhamento pedagógico está possibilitando o ingresso de indígenas e reduzindo os índices de evasão nos cursos do Campus Sertão do IFRS. A ação é desenvolvida pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) desde o ano de 2013.

Atualmente, o campus tem 20 estudantes indígenas (19 kaingang e um guarani) e cada um conta com um monitor, que é outro estudante do IFRS, de preferência da mesma turma, atuando como bolsista e realizando o acompanhamento pedagógico com supervisão dos membros do Neabi. Há estudantes indígenas nos cursos técnicos em Agropecuária; e em Manutenção e Suporte em Informática (ambos na modalidade integrado ao Ensino Médio); no bacharelado em Agronomia; e na licenciatura em Ciências Agrícolas.

O membro do Neabi Darci Emiliano, que também é de origem indígena (kaingang) e servidor do campus, no cargo de vigilante, tem a atribuição de visitar as terras indígenas para divulgar o processo seletivo do IFRS, conversar com pais e alunos nas escolas das comunidades. Darci é da reserva de Cacique Doble e formou-se no curso Técnico em Agropecuária do campus em 1989. Em 1995, após a aprovação em concurso público, retornou à instituição como servidor.

De acordo com o coordenador do Núcleo, Rodrigo Ferronato Beatrici, o projeto também promove um diálogo entre os estudantes e os professores e entre o campus e as famílias. "No início do ano letivo, convidamos as famílias dos alunos indígenas para participar de um encontro no campus. Explicamos o projeto e pedimos o apoio no incentivo aos estudantes", conta.

Periodicamente, o Neabi informa às famílias o desempenho acadêmico dos alunos. "O resultado deste trabalho pode ser percebido no aumento dos casos de aprovação", aponta Beatrici.

Início do projeto

A ideia do projeto ocorreu com a identificação das dificuldades vividas pelos indígenas na mudança radical de deixar as famílias para morar e estudar no campus, conta a servidora do IFRS que deu início à iniciativa, a técnica em assuntos educacionais Vanda Aparecida Fávero Pino. Ela conta que a adaptação dos alunos à nova rotina de estudos nem sempre é fácil, principalmente quando eles vêm de uma cultura diferente. Nos cursos técnicos integrados ao Ensino Médio, por exemplo, os alunos saem muito cedo de suas casas para morar em alojamentos distantes de suas famílias.

O aluno indígena Raudinei Candinho, de 17 anos, ingressou no campus em 2013 e acabou evadindo. Em 2015, retornou e hoje cursa o 2º ano do Técnico em Agropecuária integrado ao Ensino Médio. "Tive dificuldades em me adaptar da primeira vez. Não foi dificuldade de aprendizagem, foram as diferenças culturais", lembra. Com o projeto melhor desenvolvido, a segunda experiência de Raudinei está sendo positiva. "Desta vez, eu converso com todos, gosto da turma, das aulas, tenho um bom relacionamento com os colegas e professores, estou entendendo melhor as matérias e consigo expressar melhor minhas dificuldades. O projeto me ajudou muito. Eu respeito os colegas e eles me respeitam?, conta.

Conforme o monitor e estudante do Técnico em Agropecuária Anderson Dalzotto De Nardi, a convivência com os colegas indígenas ultrapassou as relações escolares. "Eu e o aluno que eu monitorava nos tornamos amigos. Ele já passou o final de semana na minha casa e o projeto mudou completamente meu modo de ver a cultura indígena e até a visão dos meus pais. Quando não conhecemos a realidade de perto, costumamos ter preconceito e hoje eu posso afirmar que esse preconceito não existe mais", observa, completando: "Quando a gente começa a conviver, percebe que eles fazem a mesma coisa que nossas famílias no interior: plantam e criam animais", enfatiza.

Sobre os Neabi

O Campus Sertão foi a primeira unidade do IFRS a constituir um Neabi, em 2009. Atualmente, 14 campi da instituição contam com os núcleos: Alvorada, Bento Gonçalves, Canoas, Caxias do Sul, Erechim, Farroupilha, Feliz, Ibirubá, Osório, Porto Alegre, Restinga (Porto Alegre), Rio Grande, Sertão e Viamão.

Eles são representados na Reitoria pela Assessoria de Ações Inclusivas do IFRS e têm a finalidade de promover ações de ensino, pesquisa e extensão orientadas às temáticas etnicorraciais e estimular a cultura da educação para a convivência, compreensão e respeito à diversidade. Entre as atribuições estão a promoção de encontros para reflexão e capacitação de servidores visando ao conhecimento e à valorização da história afro-brasileira e indígena; a implementação de projetos de valorização e reconhecimento dos sujeitos negros e indígenas no contexto dos campi.

 

Matéria: Lisiane Schuster - Campus Sertão IFRS

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